Depois que foi anunciado, High on Life despertou o interesse de muita gente por se tratar de um jogo com a assinatura do co-criador de Rick and Morty, Justin Roiland. O que recebemos? um produto divisivo. Ele não é para todos os gostos. Se você é fã de comédias sujas e grotescas, seja bem vindo a uma aventura inesquecível.

Tiro, faladeira e palavrão

O estúdio de Roiland, Squanch Games, tinha trabalhado em projetos mais puxados para o VR – Trover Saves the Universe foi lançado para os consoles normais, porém ele também veio dos óculos de realidade virtual. High on Life foi um salto mais ousado e com poder de alcançar um público bem maior.

Nele você controla um adolecente que se torna um caçador de recompensas e deve salvar a humanidade de ser usada como droga alucinógena pelos alienígenas. Os seus principais aliados contra o cartel extraterrestre são as suas armas falantes.

O objetivo de High on Life não é te fazer chorar, te empolgar com uma ação enlouquecedora ou te fazer refletir sobre a vida. Ele quer te fazer rir de coisas totalmente idiotas e com muitos, mas muitos palavrões. É um humor podre, mas que eu amo.

Antes que me esqueça, ele é um FPS do tipo mais enérgico, com direito a tiros especiais e mochila a jato. É como os últimos Doom, porém bem mais modesto. 

Conforme progride, você vai ganhando itens que vão te dar acesso a novos locais nos cenários no maior estilo metroidvania. Nos combates, essas habilidades te deixam mais ágil. Os trechos onde você é obrigado a usar todos os seus recursos de mobilidade são os melhores.

Graficamente ele é “ok”. Não é nada abaixo ou acima da média. Seus cenários em sua maioria também não são lá grande coisa. Salvo são aqueles que têm um ou outro detalhe engraçado. O local que mais se destaca é a casa do protagonista, onde você pode simplesmente parar e assistir filmes completos.

Quem dita mesmo o ritmo em High on Life é a comédia. Foram várias as vezes em que parei e fiquei rindo das piadas, até mesmo no meio dos confrontos contra os soldados do cartel.

Nem tudo no gameplay é tão sem sal. As batalhas contra os chefes são memoráveis, porém o que torna elas inesquecíveis são justamente as piadas que rolam durante a ação.

Ainda sim, a parte cômica tem seu lado negativo, a falação. As armas falantes não param de tagarelar. Tem horas que elas soltam umas boas piadas, mas em alguns momentos já nem queria mais ouvir a voz delas. Em alguns trechos também encontramos personagens que falam, falam e falam. São nesses momentos que o tédio bate forte.

Vale dizer que High on Life não tem legendas em portugês, então quem não tiver pelo menos uma noção básica de inglês, esses momentos engraçados não vão passar de faladeiras intermináveis e incompreensíveis.

Como um grande fã de comédia, foi muito gratificante o pouco tempo que passei nas caçadas aos traficantes alienígenas – já que a campanha é curtinha. Nesse período de mega produções com histórias melancólicas e dilemas filosóficos, uma aventura sem a pretensão de ter oferecer coerência é uma fuga das fórmulas enlatadas de hoje em dia.

Eu amo as essas super produções com mundo aberto, milhares de side quest e histórias emotivas. Porém, se tem uma cena que marcou a minha vida foi em Saint ‘s Row 4, onde você, controlado o presidente dos Estados Unidos, deve fugir de uma nave alienígena ao som “What is Love”, e a nova obra Roiland faz questão de manter essa chama do humor pastelão acessa no mercado de vídeo games .

Toda essa carga cômica faz o valor de High on Life ser gigantesco nessa indústria. Recentemente tivemos estúdios corajosos que abraçaram a comédia e lançaram jogos engraçados, mas não é todo ano que vemos um com foco absoluto nisso. Realmente não são todos que gostam de jogar algo assim, mas nem todo jogo precisa ser para todo mundo.

Sobre desempenho, tenho visto vários relatos de quedas de frame, porém quando joguei não tive muitos problemas com isso. O que encontrei foram bugs, mas não foram muitos. Uma coisa que vale dizer é que quando joguei no xcloud, aconteceu do jogo fechar do nada algumas vezes depois que morri. Foram poucas vezes, porém vale o aviso.

Veredito

High on Life é um jogo que podemos classificar como necessário para a indústria dos vídeo games. Ele não é como as grandes produções que tentam agradar quase todo mundo. O seu foco é atingir os fãs de humor mais sujo e proporcionar uma experiência memorável, pelo menos para esse público. Suas piadas sujas e cheias de palavrões vai desagradar aqueles que não são muito fãs desse tipo de comédia. A gameplay também não é boa o suficiente para ser um atrativo secundário. Para os fãs de Rick and Morty e de humor de baixo escalão, esse é um jogo obrigatório.

Avaliação: 3 de 5.

High on Life está disponível para Xbox One, Series S/X e PC no catálogo do Game Pass

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