Quando um gênero vira moda, várias empresas, seja ela grande ou pequena, tentam entrar na onda para conseguir ganhar uma grana. Com isso a indústria dos jogos é inundada de produtos de qualidade extremamente duvidosa. Um tipo de jogo que eram conhecido por ter qualidade entre mediana e grotesca eram os jogos de ips licenciadas, principalmente jogos de super-heróis.

Nos anos 80 e 90, empresas como LJN e Acclaim costumavam lançar jogos de personagens famosos de qualquer maneira, só para ganhar dinheiro fácil. O problema é que criança quando vê seu personagem favorito em algum lugar ela simplesmente gosta, independente da qualidade. Eu falo por mim mesmo, eu amava aquele grotesco jogo do Homem-Aranha de nes (que na verdade eu jogava no Polystation).

Felizmente, empresas como Capcom e Konami buscavam acima de tudo fazer bons jogos utilizando essa ips licenciadas. Exemplos disso são o jogo do Aladin, X-Men Children of Atom da Capcom, e da Konami o Tartarugas Ninja: Turtles in Time e X-men de arcade.

Infelizmente a Data East não era uma dessas. Em 1991 eles lançaram Capitão América e os Vingadores pra arcades e consoles da época, e o jogo é horrível. Mas não é sobre ele que vamos falar hoje, e sim do jogo de luta com os personagens da Marvel lançado em 1995 para aproveitar a moda do gênero nos anos 90. E não, eu não falo do espetacular Marvel Super Heros, e sim do questionável Avengens in Galactic Storm.

Operação tempestade galáctica

Como o nome já dá a entender, Avengers in Galactic Storm adapta os eventos da Operação Tempestade Galáctica, que foi o arco dos Vingadores que foi publicado lá nos Estados Unidos entre março e maio de 1992, e no Brasil em 1995 pela editora Abril.

Para quem não conhece esse arco vou tentar resumir aqui de uma forma bem compacta, já que ele possui 19 volumes. E sim, eu li todos eles. Tem momentos em que a história fica um pouco cansativa, mas ainda sim o saldo geral é positivo.

Rick Jones, peça importante na guerra skrull-kree e que acredito que alguns devem conhecer por conta do Bomba-A, teve um tipo de premonição onde viu a inteligência suprema Kree. Depois de Rick entrar em contato com o Capitão América e de ser abduzido, os Vingadores descobrem que está acontecendo uma guerra entre a raça Shi’ar, que quem é fã de X-men deve conhecer, e os Kree.

Nessa treta toda, o nosso sistema solar virou uma rota importante, mas toda essa movimentação estava afetando o sol. Então os Vingadores deram uma de diplomatas para tentar parar essa guerra da melhor forma possível. Quem já leu a hq, ou viu em algum vídeo do Youtube, sabe que não acaba nada bem para um monte de gente.

Um show de esquisitice

Avengers in Galatic Storm usa uma técnica que foi popularizada pela Rare com o Donkey Kong Country, que é fazer Sprites a partir de modelos 3D. Se bem-feito, utilizando um bom modelo 3D e boas animações, o trabalho fica ótimo, mas caso não, acaba virando um verdadeiro show de horrores.

No caso de Avengers in Galatic Storm, isso acabou não sendo uma boa ideia.

Pode parecer estranho, mas de certa forma esse jogo foi inovador. Ele foi o primeiro jogo de luta a trazer a mecânica de assist, que é chamar um outro personagem durante a luta pra fazer alguma ação. É bizarro saber isso, mas essa mecânica que ganhou fama depois de Marvel Super Heros vs Street Ffighter começou aqui nessa abominação.

Os personagens jogáveis são: Captão América, Trovejante, Cavaleiro Negro e Cristalys no lado dos vingadores e Korath, Doutora Minerva, Shatterax e Supremor do lado dos Kree.

Os Vingadores e os Kree possuem assists únicos que você escolhe depois de selecionar seu personagem. Do lado dos Vingadores você pode escolher entre Homem de Ferro, Thor, Visão e o Homem Gigante (que eu acredito que seja o Golias). Só por curiosidade, esse é Clint Barton, o Gavião Arqueiro mesmo. Ele recebe uma ajudinha do Hank Pym antes da equipe dele ir para missão no espaço.

Já no lado dos Kree você pode escolher entre: Atlas, Sentinela, Ronan e Ultimus.

Uma coisa que achei um pouco estranho é que durante a Operação Tempestade Galáctica, o Thor original estava preso dentro da consciência do Eric Masterson, que é o Trovejante. E quem estava como Thor era o próprio Eric, com direito a capacete e tudo. E o Visão que aparece na história é o branco, o sem emoção nenhuma.

Ter sido lançado em 1995 não é uma desculpa para passar pano para os modelos 3D ruins, até porque, Killler Instict, que usa a mesma técnica gráfica, foi lançado 1994.

Eu não sei se os modelos foram feitos com presa ou pagaram uma empresa terceirizada barata para fazer, mas olha essa Doutora Minerva. Olha esses joelhos. Seria um crime compara com o modelo da Orchid de Killer, então vamos ser mais ofensivos. Esse modelo está mais feio que o da Nina do Tekken 1, eu não estou brincando. E olha que os modelos 3D de Tekken não são pré-renderizados.

Você acha que não pode piorar? Olha esse Cavaleiro Negro que parece que está segurando um sinalizador. O Supremor já é feio por natureza, mas tenho que admitir que alguns modelos ficara até bons, que é o caso Korath e do Shatterax. Ainda sim, é impossível não rir com esse Atlas com stance do Jack do Tekken, pior ainda é esse Golias.

Como chefe final temos Galen Kor. Nos quadrinhos ele vem até a terra para se vingar pelo que aconteceu durante a guerra Shi’ar-Kree. Logo o chefe final consegue ter um dos designers mais genéricos do jogo, só perdendo para o Atlas.

Sobres os cenários, o que eu tenho a dizer é que eles são bem ruizinhos. O único que eu gostei mesmo foi aquele em que a Lilandra assisti a luta no fundo do cenário. E mesmo assim ele só é bom se comparado aos outros do jogo, e que para completar são poucos. E as músicas? Totalmente genéricas, repetitivas e esquecíveis.

Esse jogo é simplesmente confuso. Não dá pra intender se ele quer ser um jogo mais estratégico como Street Fighter, ou ofensivo com um The King of a Fighters. Parece que eles simplesmente tiveram a ideia de fazer um jogo de luta dos Vingadores e pronto. Feito sem nenhuma lógica.

Tudo aqui foi mal pensado. Uma partida pode simplesmente acabar com duas entradas de combo. Caso você tonteie seu adversário no primeiro combo, bem, a partida acabou.



É muito fácil aprender um combo de dano altíssimo nesse jogo, e muitas desses combos são bem simples de se usar durante as partidas. O Capitão América, que foi o personagem que eu mais joguei, pode levar metade da barra de vida a partir de um chute forte em pé. Dependendo do calor da luta, esse combo ainda tonteia o adversário. Isso tudo sem gastar super. Caso você tenha o Visão como assist a coisa fica ainda pior.

Eu sei que pode até ser fácil encontrar combos infinitos em jogos de luta dos anos 90, mas não tão idiotamente fáceis e úteis como os desse jogo.

Um outro crime grave que Avengers in Galatic Storm comete é com as animações dos ataques. É tudo muito trash. As animações são tão ruins que você passa até a gostar por ser engraçado. A disputa é acirrada para descobrir qual é o golpe mais feio, mas ainda sim eu prefiro o golpe em Capitão América joga o escudo para o alto.

Chega parece uma piada saber que esse jogo foi lançado no mesmo ano em que o incrível Marvel Super Heros da Capcom, que foi um dos jogos que mais joguei na minha infância.

O pior é que jogos de luta não são uma novidade para Data East. É bom lembrar que eles trabalharam em History of Dinamite, simplesmente o melhor clone de Street Fighter 2. Não dá para saber se foram feitos pela mesma equipe, porém a gente já sabe que essa era uma empresa que só queria fazer dinheiro com figuras populares.

Veredito

Ainda sim, Avengers in Galatic Storm é um ótimo jogo para os fãs de jogos ruins, eu inclusive me incluo nesse grupo. Ele não aquele tipo de jogo que é tão ruim que te diverte. Pelo menos comigo, ele foi do tipo que é tão ruim que me despertou curiosidade de ver o quão pior ele conseguia ficar. Olhando por esse ponto, eu posso dizer que estou satisfeito, e digo até surpreendido.

Podemos afirma aqui que Avengers in Galatic Storm é um péssimo jogo de luta, mas ainda sim ele precisa de muito para chegar ao hall da fama do lixão da pancadaria eletrônica, como: Shaq fu, Kasumi Ninja e Tatoo Assassins (que é da Data East).

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