A indústria dos jogos é repleta de histórias bizarras dês da primeira geração com o caso da Magnavox vs Atari. Ainda tivemos a exclusividade forçada dos jogos no NES e o descarte inusitado dos cartuchos do jogo do ET e várias outras histórias que até merecem ser contadas aqui, mas a bizarrice da vez é o Capcom Five, o confuso acordo entre a Capcom e a Nintendo que almejava salvar o Gamecube.

A crise da Nintendo com os desenvolvedores terceiros

Para ter uma compreensão total do assunto devemos voltar a 4ª geração de consoles. Em bora os jogos em cartuchos ainda estivessem em alta, o CD vinha chegando dando passos largos, oferecendo mais espaço de armazenamento e melhor qualidade de áudio.

A Nintendo até tinha ciência dos benefícios do uso do CD em consoles e até investiu em um Super Nintendo com leitor de disco em parceria com a Sony e a Philips, mas por conta desses acordos, ela presenciou surgimento do seu maior adversário comercial (Playstation) e as maiores atrocidades já feitas com suas ips (os jogos de Zelda do Philips CDI).

Na 5ª geração, a casa do Mario decidiu ir na contramão e se manter usando cartuchos. O resultado disso foi grandes estúdios terceiros como Capcom e Square Enix investindo com tudo no Playsation. O Nintendo 64 não foi um console ruim, mas ele não teve muitos jogos de destaque feito por estúdios terceiros.

Mesmo com a preferência ao Playstation, a Capcom ainda investiu no N64, inclusive tendo um grande destaque com o port milagroso de Resident Evil 2 feita pelas mão da antiga Angel Studios, que hoje é a Rockstar San Diego.

Na 6ª geração a Sony trouxe o monstruoso e avassalador Playstation 2 com uma mídia ainda mais avançada, o DVD. A Nintendo finalmente abriu a mente para o novo, mas de forma um pouco errada. Eles apostaram em um miniDVD, que também não deu muito certo.

Mesmo com o PS2 dominando tudo, a relação com a Capcom ainda rendeu o lançamento do remake do primeiro Resident Evil e Resident Evil 0 como exclusivo no Gamecube, mas vale mencionar aqui que hoje em dia você encontra eles em qualquer plataforma.

O Capcom Five

Em uma coletiva de empresa em novembro de 2002 a Capcom liberou um trailer com 5 jogos exclusivos de Gamecube que sairiam a partir de março de 2003, e que tinham a missão de atrair mais estúdios de terceiros para o console da Nintendo Gamecucbe.

A lista de jogos era composta por Dead Phoenix, P.N.03, Killer 7, Viewtiful Joe e o aguardadíssimo Resident Evil 4.

Todos os jogos contaram com o evolvimento de Shinji Mikami e quase todos foram desenvolvidos pelo estúdio interno da Capcom, Production Studio 4.

Dead Phoenix

Dead Phoenix é um shoot’em up 3D onde o jogador controla um homem alado enfrentando uma vários inimigos, parecendo uma mistura de Panzer Dragoon e Lengedary Wings.

O triste é que ele foi cancelado em agosto de 2003.

P.N.03

P.N.03 é um shooter arcade em terceira pessoa com temática futurista. Nele controlamos Vanessa, uma mercenária que vive dançando em meio ao tiroteio.

Uma coisa curiosa sobre P.N.03, que foi dirigido por Mikami, é que ele parece uma mistura de Bayonetta e Vanquish.

Ele não fez muito sucesso, mas acabou ganhando um certo reconhecimento pela sua influência em Bayonetta e Vanquish.

Viewtful Joe

Viewtiful Joe é um dos queridinhos dos 5, ele é um beat em up side scrolling com gráficos 3D com cel shading.

Nele Joe precisa salvar sua namorada que foi puxada para dentro de um filme. Essa história bizarra e divertida saiu da mente do mestre Hideki Kamiya.

Ele deu tão certo que ganhou uma continuação, mas infelizmente não temos mais nada novo de Viewtiful Joe.

Killer 7

Killer 7 foi único não desenvolvido pela Capcom, ele foi feito pelo estúdio Grasshopper Manufacture e dirigido por Suda51. Mikami coescreveu o roteiro.

Ele é um shooter sobre trilhos com uma história bem bizarra, padrão Suda51 de qualidade e loucura.

Resident Evil 4

Resident Evil 4 não precisa de apresentações, ele é só um dos jogos mais influentes da história.

O clima já começou a azedar quando a Capcom USA esclareceu que houve um erro de comunicação e que apenas Resident Evil 4 seria exclusivo.

Nós já sabemos que não demorou muito para Resident Evil 4 sair para PS2, e hoje ela está disponível em tudo quanto é plataforma possível. Ele saiu até para o Zeebo.

Shinji Mikami era um defensor do Gamecube é chegou até a dizer para o presidente da Capcom que poderia sim lançar Resident Evil 4 para outra plataforma, mas primeiro teria que demitir ele. E não, Mikami não precisou ser demitido. Não sabemos se isso tem alguma relação com a saída dele alguns anos depois.

No final das contas, só P.N.03 ficou como exclusivo de Gamecube. Enquanto isso, Resident Evil 4 e Viewtful Joe ganharam até mais conteúdo na versão de PS2.

Segundo rumores, a Nintendo ficou tão enfurecida que não quis ver nenhum personagem da Capcom em Super Smash Bros. Braw. Não sabemos se isso é verdade, já que Ryu e Mega Man apareceram no Smash de Wii U/3DS.

Essa foi apenas uma de várias histórias malucas dessa nossa maravilhosa indústria dos jogos.

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