Watch Dogs foi anunciado em 2012 com um trailer surreal. Ele prometia ser inovador e revolucionar os jogos de mundo aberto. As expectativas sobre ele eram gigantescas, inclusive ganhando vários prêmios antes mesmo do seu lançamento.

Com um vídeo de gameplay surreal para época, era quase impossível não hypar esse jogo. No dia 26 de maio de 2014 a máscara de Watch Dogs caiu e finalmente vimos do que ele se tratava.

Ele não era incrível como foi prometido, assim ganhando o rancor de vários jogadores.

Hoje Watch Dogs é uma franquia estabelecida na biblioteca da Ubisoft, mesmo com o lançamento problemático do primeiro jogo. Aproveitando que ele está fora dos holofotes do hype, decidi fazer uma análise limpa desse jogo que, assim como muitos hoje em dia, prometia ser o próximo passo evolutivo da indústria nas campanhas de marketing, porém nas mão dos jogadores não se mostrou ser bem assim.

Vingança. Simplesmente vingança.

Watch Dogs é um jogo de mundo aberto onde controlamos o hacker Aiden Pierce, que após um roubo mal sucedido, sofreu um atentado a mando dos figurões de Chicago. Um assassino contratado atirou no pneu do carro de Aiden, fazendo o carro perder o controle e capotar, matando sua sobrinha que também estava no carro.

Só por isso vocês já podem perceber que o ponto de ignição para o enredo é a vingança. É algo bem genérico, mas funcional. A partir desse desejo de punir os culpados pela morte de sua sobrinha, o protagonista vai conhecendo pouco a pouco a parte mais podre de Chicago.

Quem também tem um grande peso na trama é a Blume, a empresa que controla toda essa Chicago conectada através do seu sistema operacional, o CTOS.

A partir desse sistema, a corporação tem controle de tubulações de esgoto, câmeras nas ruas, sinais de trânsito e tem até acesso aos celulares dos civis. O tempero principal de Watch Dogs é o fato de você ser uma espécie de vírus na cidade, tendo acesso a tudo que o CTOS controla, ou seja, a cidade é seus olhos e sua arma.

Seja bem-vindo a uma Chicago conectada

Com o celular de Aiden temos acesso praticamente tudo na cidade, até mesmo informações de NPCs, como emprego, hobbies, e até algumas coisas bem bizarras. Você tem acesso até mesmo a ligações e mensagens de NPSs.

Infelizmente tudo isso não surte tanto impacto. No geral, os NPCs não tem vida nenhuma, então essas informações ficam apenas como alguns detalhes sem importância que em alguns momentos pode te garantir algumas risadas.

O combate de Watch Dogs é mais voltado para o steath. Todas as ferramentas de hack, alguns dispositivos e toda a estrutura do combate armado te motivam a ser sorrateiro, mas nada te impede de entrar em um local com o peito aberto, soltar uma frase de efeito, e meter bala em todo mundo. Não é muito recomendado, mas você pode.

Com suas habilidades de hacker você pode explodir granadas de inimigos, fazer certos objetos no mapa explodir e até cortar a comunicação de alguns inimigos. Todas essas ações têm um custo, então para conseguir o melhor êxito com elas é bom utilizá-las no momento certo. Sabendo usar bem, você vira um verdadeiro fantasma.

Como shotter ele se sai muito bem. A Ubisoft é uma empresa que pega aprendizado de jogos anteriores e coloca em seus novos projetos, isso para não dizer “reaproveita”. Todo o conhecimentoda Ubisoft na época sobre os jogos do gênero estão aqui.

Falando em pegar ideias emprestadas, podemos ver bastante inclusive de Assassins Creed aqui. Aiden não é tão bom no parkour quanto Ezio, mas ele sabe escalar alguns lugares, e sem contar as torres de sincronização.

A estrutura das missões é divertida no começo, mas por se repetir muito acaba abaixando sua empolgação. Elas são basicamente: Vá a um lugar infestado de inimigos e hackeie um computador, persiga o alvo ou fuja. Essa estrutura de missões em um jogo longo é um grande pecado.

As missões secundárias também não contribuem em nada para dar um sabor diferente, elas basicamente seguem a mesma estrutura das missões principais, mas sem nenhuma importância na história.

Uma atividade que merece destaque é a de vigilante. Com o acesso ao sistema CTOS, o protagonista tem acesso a possíveis cenários de crime. Você deve ficar escondido observando os passos da vítima e do criminoso, mas você não pode se apressar, se não o crime não acontece. O bote deve ser certeiro, se não a vítima pode morrer.

A Chicago de Watch Dogs é imensa e cinzenta. Você pode até mesmo fazer um turismo virtual e conhecer alguns lugares famosos dessa famosa cidade. Mesmo assim, a cidade carece de vida.

Tirando as informações que você pode ver sobre os NPCs, eles não fazem praticamente nada. O nível de interação dos NPCs com o protagonista é nulo. Existe um sistema de moral que só determina se alguns NPCs vão te reconhecer como vigilante ou te denunciarem. Nada de afrontar no meio da rua ou reagir de maneira mais agressiva, coisa que felizmente foi trabalhada com maestria no segundo jogo.

Um ponto que eu não posso reclamar é na questão técnica. Ele pode até não ser o mesmo jogo daquele trailer mentiroso, mas ver essa belezinha rodando no ultra é de cair o queixo.

O online de Watch Dogs foi um grande acerto. Você pode ser surpreendido por um outro jogador roubando os seus dados, ou invadir o jogo de outra pessoa. Existem também um modo competitivo, corrida e um modo onde você pode tocar o terro em Chicago com seus amigos.

Esses modos não são nada estratosférico, mas eles te ganham pela simplicidade, principalmente a invasão. Isso dá um tempero a mais na sua jornada no singleplayer.

Não tem como deixar de comparar qualquer jogo de mundo aberto de temática urbana contemporânea com GTA, até porque ele é ponto de referência de qualquer jogo do gênero.

A Rockstar é uma empresa que leva muito a sério essa questão de dar vida a um jogo, inclusive quase não permitindo seus desenvolvedores viverem suas vidas. Já a Ubisoft parece que quis apenas contar uma história para ganhar dinheiro.

A sensação é que ele foi feito sem carinho. Ele é bom, mas falta aquele toque mágico para dar vida.

A jornada por vingança de Aiden é cheia de revelações sobre o lado oculto de Chicago e conta com momentos de ação incríveis. O final de Watch Dogs é excepcional, eu diria até que vale a pena segurar a frustração para pode chegar até o fim.

Infelizmente ela possui problemas como personagens mal trabalhados e muitas das vezes esse lado sombrio enche o saco.

Veredito

Watch Dogs é um bom jogo, ele pode não ser um jogo marcante, mas ele te oferece uma boa experiência. Por conta do mundo sem vida e missões secundárias enjoativas, você não se sente motivado a desbravar o mapa e ver tudo que ele tem a oferecer. Mas ainda sim, ele é somente um bom jogo.

Embora tenha errado muito, o seu conceito era promissor e merecia sim uma segunda oportunidade. Hoje Watch Dogs figura entre as franquias principais da Ubisoft. Ela pode até não ter a mesma notoriedade de Far Cry, Assassins Creed e Raibon Six, mas tem seu lugar no panteão da empresa francesa.

Avaliação: 3 de 5.

Watch Dogs está disponível para PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One, PC e Wii U

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