Por Ronald Junior

Cyberpunk 2077 protagonizou um dos momentos mais polêmicos da história da indústria dos jogos eletrônicos. Foram anos de grandes promessas e uma expectativa que não parecia ter fim. Era algo impressionante ver o nível de ansiedade dos jogadores, tanto que era quase impossível não ser contagiado pelo “hype”.

Antes mesmo de The Witcher 3 ser lançado, Cyberpunk já era aguardado com fervor, e logo após o lançamento extremamente bem-sucedido do terceiro capítulo da aventura de Gerald, e com o nome da CD Projekt Red no coração dos jogadores, o RPG futurista era aguardado como um grande evento mundial.

Bugs eram esperados, até mesmo o amado The Witcher 3 estava inundado de problemas no seu lançamento, porém ninguém imaginava – além dos céticos de plantão – que o projeto mais ambicioso da CD Project Red fosse uma pilha de problemas e de falta de capricho.

A empresa jogou tão sujo que eles apenas liberaram keys do jogos no PC – que é a melhor versão – para ser feita as análises. A versão de console, que estava inundada de problemas, foi liberada apenas no dia do lançamento. Muitos jogadores caíram em cima dos sites especializados no mundo todo, acusando-os de terem recebido dinheiro e até mesmo de terem feito reviews sem ter jogado.

Vendo sua imagem totalmente manchada, a CD tenta amenizar a sua grande sujeira melhorando o jogo com atualizações

Vendo toda essa situação, só fui comprar Cyberpunk 2077 em janeiro de 2022 em uma ótima promoção na Epic, mas ainda sim, fui encorajado por amigos a jogar só em fevereiro por conta dos rumores de uma grande atualização que prometia concertar boa parte dos problemas.

Me resguardei e a tão “milagrosa” atualização chegou, trazendo melhorias e novos recursos.

Essa review foi feita com base na versão 1.5, já que evitei jogar as versões anteriores por conta dos problemas e dessa história de lançamento revoltante. Agora com as emoções postas de lado, vamos a análise.

Seja Bem-vindo a Night City

Cyberpunk 2077 é um RPG de mundo aberto que te põem na pele do mercenário(a) chamado(a) V, ficando a cargo do jogador definir a aparência do protagonista. Embora o estúdio tivesse dado a entender que a customização de personagem seria algo de cair o queixo, podendo até mesmo customizar as genitálias, o que temos no produto final é uma liberdade bem moderada.

Podemos escolher penteados, barba, maquiagem, tatuagens e escolher até a cor dos pelos pubianos. Itens básicos como estrutura corporal, altura e poder mexer no rosto do personagem com total liberdade ficaram de fora. O que ameniza essa falta de liberdade em criar seu personagem é o fato do game inteiro ser em primeira pessoa. Você só verá a sua a aparência nos menus de estatísticas e em espelhos.

Embora muita gente tenha criticado essa decisão de utilizar apenas a perspectiva em primeira pessoa, em vez de oferecer pelo menos a possibilidade de trocar para terceira pessoa, logo nos primeiros minutos de jogo já se pode ver o motivo da decisão.

Em jogos com a perspectiva em terceira pessoa, podemos dizer que somos apenas um espectador da história do protagonista. Embora controlemos o personagem, visualmente estamos apenas o acompanhando. Já em primeira pessoa, passamos a ver o mundo com os olhos do protagonista, deixando a imersão com o mundo apresentado muito maior.

O objetivo de Cyberpunk 2077 não é te fazer um espectador de V, mas sim te por na pele do personagem. Nada de ser um observador. Você está vivo na cidade, pode ver as consequências de seus atos e decisões através dos olhos de V.

Night City é o grande palco da aventura sangrenta e lasciva. Cada canto da cidade tem algo acontecendo, seja um assalto, cenas de crime ou um pobre infeliz sendo alvejado sem nenhum tipo de pena pela polícia. Pegar seu veículo e sair pela cidade completamente sem rumo é um convite para surpresas muito recompensadoras.

Logo no início, o jogador deve escolher qual é o passado de V. A sua escolha interferirá no início do game, linhas de diálogo e até mesmo na relação de V com alguns personagens. Como todo bom RPG, você terá que distribuir seus pontos de habilidade que determinarão o qual bom você é com armas de fogo, armas brancas, stealth, criação de itens e etc…

Cyberpunk 2077 possui um arsenal vasto de armas de fogo, e com diferentes tipos de munição. Temos a munição de energia, que ricocheteiam ao acetar paredes; tecnologia, que permite usar tiros carregados que atravessam paredes; e as armas inteligentes, que possui uma mira bem ampla e pode atingir inimigos escondidos. Como Shotter, ele é ótimo. Ele não fica para trás dos gigantes do gênero FPS.

Caso você queira eliminar os seus alvos na surdina, o sistema de stealth funciona muito bem. Você pode se aproximar agachado, utilizar alguma arma com silenciador, ou até mesmo arremessar facas. Se um inimigo te encontrar, todos partirão para cima de você de maneira selvagem.

As habilidades de trilha rede – como são chamados os hakcers aqui – são o que dão um charme a mais, seja nos abates silenciosos ou no modo Rambo. Você pode fazer um inimigo entrar em curto circuito, atraí-lo até você sem dar alerde aos outros, desativar câmeras ou usá-las para ter uma noção de onde estão os inimigos e até mesmo hackealos no maior estilo Watch Dogs e muito mais.

Cada uma dessas habilidades consomem slots de Ram. Elas também possui níveis de raridade, que influenciam no dano e no tempo de carregamento.

Para os fãs de ação desenfreada e inteligente, botar a cara no fogo cruzado é um banho de diversão. As habilidades hacker vão te ajudar a abrir brechas para alvejar inimigos, ou se defender de alguém a sua frente enquanto você estiver vulnerável.

Os diferentes tipos de arma e munição acrescentam uma camada a mais no seu leque de recursos. Você pode, por exemplo, utilizar armas de energia contra inimigos mais expostos, e quando eles se esconderem, utilizar uma arma inteligente para acertá-los na cobertura. Contra inimigos mais fortes, você pode até se esconder e atirar neles com uma arma de tecnologia em quanto se protege.

É importante deixar claro que, para entrar no combate é necessário se preparar com itens que dão status de nutrição (que regenera a vida) e hidratação (que aumenta a regeneração do vigor). Além disso, existem outros consumíveis que aumentam certos atributos por tempo limitado. Nos níveis mais difíceis, o bom uso desses itens irá te garantir a vitória contra os desafios mais insanos.

Cada atributo possui uma árvore de habilidades bem vasta que te ajudarão a moldar o seu personagem a sua maneira. Seja com foco maior em hacks, combate mano a mano, armas de fogo ou seja lá qual for sua pretensão. Caso você queira redistribuir os pontos investidos nas habilidades, é só pagar um certo custo e distribuir os pontos novamente como bem entender.

A cidade dos pecados

Night City é um local banhado a sangue, luxuria e falsas promessas. A cidade é gigante e com vários tipos de lugares. Você pode vagar pelo deserto, ir em uma área industrial, favelas e se maravilhar com os prédios iluminados. As diversas propagandas engraçadas ajudam a dar ainda mais vida a cidade. Perambulando pelas ruas, você ouvirá barulhos de tiro e até mesmo verá a polícia cercando uma cena de crime. Depois de algum tempo você passa até se sentir um cidadão de Night City.

Infelizmente os pedestres não ajudam em nada a dar vida a cidade. Eles só andam por aí e reagem quando você faz alguma coisa com eles. Você não vê, por exemplo, eles brigando na rua, coisa que é bem comum na franquia GTA.

Eu cheguei a encontrar um morador de rua sendo espancado, mas as situações como essa são bem raras. Mesmo entrando no meio dos dois, ninguém esboçou reação. Todos continuaram executando a mesma ação.

Se os pedestres não contribuem em nada para vivificar a cidade, as missões secundárias conseguem suprir essa lacuna e ainda mostram o verdadeiro brilho de Night City.

Como já visto na franquia The Witcher, as histórias secundárias são o carro-chefe da CD Projekt Red, e em Cyberpunk eles mostraram novamente que são um dos melhores, se não os melhores nesse assunto.

Você rirá de certas situações e se revoltar com algumas histórias. Eu mesmo perdi horas seguidas fazendo as secundárias e não me senti “perdendo algo” na história principal.

Além disso, há outras tarefas, como: caçar psicopatas e impedir crimes pela cidade. Essas tarefas ajudam a garantir uma “graninha” para a comprar itens, veículos e apartamentos.

A jogabilidade com os carros e motos não é nada especial. Ela não é ruim, mas também não é espetacular.

Um dos maiores pecados de Cyberpunk 2077 é não ter perseguição policial. Conforme você entra em confronto com os agentes da lei, mais deles aparecerão do nada, porém se você pegar algum carro e fugir, nada te acontecerá. Nada de perseguições de tirar o folego que te cobram o melhor da sua habilidade no volante. Alguns podem considerar essa uma ausência insignificante, mas faz muita falta em um jogo dessa magnitude.

A localização para o nosso português dividiu opiniões, mas eu fico do lado dos que amaram. As referências a músicas nos nomes das missões, e até mesmo em certas linhas de diálogo, ficaram ótimas. Ainda que uma gíria ou outra soe um pouco estranho, no geral, o saldo é positivo.

A história principal desse jogo é incrível. Toda a trama é bem escrita e te surpreende sempre até a conclusão dos eventos da história. Eu vou evitar dar detalhes sobre a trama, para não estragar a experiência de quem ainda não jogou.

Infelizmente, os múltiplos finais são determinados por uma escolha em um certo trecho da história. Nada de construir um final com suas decisões, na verdade, você constrói uma opção. Esse foi o maior pecado que Cybepunk 2077 cometeu.

Ainda que isso decepcione um pouco, a aventura futurista é ótima, e te convida a joga-lo mais de uma vez, pelo menos com um passado diferente. É muito divertido ver as consequências de suas escolhas e ver em um novo jogo os acontecimentos de uma decisão contraria. Você verá novas missões, novas linhas de diálogo. É praticamente um outro jogo se você seguir um caminho oposto da sua primeira tentativa.

Mesmo com a aguardada atualização, bugs ainda podem ser vistos com uma certa frequência. Eu presenciei um policial morto no chão falando, um carro desaparecendo depois de uma colisão e vários outros, mas o melhor foi logo na cena final onde o chão sumiu.

Sobre desempenho não tenho muito a dizer, já que joguei pelo Geforce Now com tudo no máximo e ray tracing ativado. Graficamente, Cybepunk 2077 é um verdadeiro luxo. Jogar com tudo que o game pode oferecer é um verdadeiro deleite aos olhos

Veredito

Depois de uma tempestade de mentiras, parece que a CD Projekt Red está finalmente entregando o jogo que tanto prometia, só que de forma parcelada. Cyberpunk 2077 é um jogo memorável com ressalvas, mas ainda sim uma experiência RPG excepcional.

Caso você esteja em dúvida, esse é o momento de joga-lo. O game está muito melhor do que no lançamento e frequentemente entra em promoção.

Avaliação: 4 de 5.

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