Por Ronald Junior

Nos anos 90 e 2000, era bem comum uma empresa lançar uma versão de algum jogo de sucesso para o portátil da Nintendo. A Capcom não era diferente, tendo lançado versões de Street Fighter e Mega Man para Game Boy, mas Resident Evil não ia ficar de fora.

Depois de uma tentativa frustrada do estúdio britânico HotGen de recriar o primeiro jogo da franquia para o portátil, a Capcom decidiu apostar em algo mais alinhado com as limitações do console de bolso e passou o projeto para as mãos do estúdio M4. Então em 14 de dezembro de 2001 foi lançado Resident Evil Gaiden para Game Boy Color.

Nas reviews mundias ele acabou levando notas bem medianas, com sites como IGN dando nota 4,0 de 10 e GameSpot dando 5,0 de 10. O publico também pegou muito no pé de Gaiden, ao ponto de até hoje ser alvo de piadinhas.

Será que ele é tão ruim assim? Será que tem, pelo menos, um aspecto que o salve? Eu assumi a ardua tarefa de ver se esse jogo é realmente uma montanha dejetos. Chegou a hora de analisar Resident Evil Gaiden

Sejam bem-vindos ao Titanic Zumbi

Resident Evil Gaiden se inicia com Barry, agora um membro da agência Ant-umbrella, indo em uma missão de resgate a Leon, que também passou a fazer parte da agência, em um navio cheio de zumbis e uma poderosa arma biológica. Além de Barry, no decorrer da gameplay podemos controlar Leon e a nova personagem, Lucia.

Por conta da dificuldade de replicar alguns aspectos dos principais jogos da franquia, como a câmera fixa e o sistema de combate, foi adotado um estilo de câmera isométrico (visto de cima) e um combate um tanto quanto esquisito.

Ao mirar ou ser tocado por um inimigo, a perspectiva muda para primeira pessoa e você deve atirar somente quando o quadrado vermelho com bordas amarelas (que representa sua pontaria) estiver sobre a barra branca com um quadrado azul no centro (que representa o inimigo).

Sem puzzle, só vai e vem

Assim como todo bom Resident Evil da velha guarda, Gaiden tenta replicar o conceito de ir e vir, tentando valorizar a exploração, mas diferente dos jogos de console que possuem um ótimo fator de descoberta com sua resoluções de puzzles e ter que coletar diferentes tipos de itens que só descobrimos o seu significado bem mais a frente na gameplay, Gaiden possui somente um chato “pega chave” e “abri porta”.

Imagine você, tendo que ir em um lugar pegar algum documento, e depois imprimir os documentos em gráfica, mas impressora do local está ruim e você tem que ir em outro lugar para imprimir, e depois disso, ainda ir em um cartório para autenticar as cópias. Chato né? É basicamente assim que Gaiden funciona. É simplesmente cansativo e tedioso.

Confrontos deprimentes

O combate no início até que é divertidinho, mas por se manter na mesmice até o final, ele acaba se tornando enjoativo bem rápido. O pior que em certos trechos você é obrigado a confrontar zumbis para encontrar chaves.

Chega um certo ponto que os confrontos se tornam um tédio, nem mesmo os inimigos mais perigos e novas armas conseguem esquentar os confrontos.

Engana-se quem pensa que o combate aqui se limita a só atirar. Como já dito, você pode controla até três personagens dependendo do trecho da história. Na gameplay, isso só impacta no combate, com cada um podendo ser equipado com uma arma e um item de defesa.

Sempre que um personagem morrer, independente se os outros dois tiverem com a vida cheia, o jogo acaba. Então em certas situações você é obrigado a trocar de personagem, seja por estar morrendo ou sem munição. Esse dinamismo salva o combate? A resposta é não. Mesmo com essa preocupação extra, os confrontos continuam igualmente chatos, ou se preferir, um chato mais complexo.

Terror? Que Terror?

Embora pareça impossível um jogo de 8-bits trazer um bom clima de suspense, Sweet Home do nintendinho, que inclusive é o pai de Resident Evil, mostrou em 1989 que isso era possível, mas Gaiden passa longe de causar no mínimo um friozinho na barriga.

Embora os zumbis possam se esconder nas sombras, o clima de surpresa morre quando você descobre essa possibilidade e passa a observar mais os lugares com pouca luz.

O principal vilão dos sustos é o ângulo de visão bem ampla que o jogador tem. Toda e qualquer coisa que poderia ser uma surpresa, fica bem no seu ponto de vista.

Eu não sou especialista em games do gênero, mas um bom jogo de terror te assusta de verdade sem precisar mostrar nada, somente alimentando a sua angústia por imaginar um inimigo aparecendo do nada; porém, quando está tudo no seu ponto de vista, você se sente mais seguro por ter noção da ameaça. Isso drena toda a energia de terror do ambiente.

O Game Boy pode não ter o melhor chip de som, mas ainda sim consegue oferecer musiquinhas marcantes, porém esse é mais um ponto que Gaiden peca. As músicas já te enjoam com 15 minutos de gameplay. Para não falar que tudo da parte sonora é deplorável, o barulho dom zumbis é até legalzinho.

Finalmente um acerto

Eu poderia gastar várias e várias linhas falando dos pontos negativos de Gaiden, mas se tem um ponto onde ele acerta em cheio é em seu enredo. Poderia dizer até que é um desperdício utilizarem uma história tão boa em jogo tão ruim.

Eu faço parte dos jogadores que querem ver essa mesma história, só que em um jogo mais descente. Ela é boa do início ao fim. Vale mencionar que a história de Gaiden não é canônica.

É ruim, mas história é boa

Verdade seja dita. Resident Evil Gaiden é um jogo ruim, mas ele não é um jogo descartável pra quem é fã da franquia. Para quem curte essa série, a história acaba salvando. Se você não for um fã de Resident Evil eu te recomendo distancia, pois o pacote completo é muito ruim e enjoa rápido.

Para finalizar, a melhor frase que descreve Resident Evil Gaiden é “Uma ótima história para um jogo ruim”.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s